quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Bye-bye gasolina: uma volta com o MINI E

BMW aposta alto em um futuro onde os carros urbanos serão elétricos. Conheça uma de suas investidas

César Tizo / de Munique, Alemanha - fotos: divulgação


Ele é uma realidade distante dos brasileiros e só é oferecido na Europa e EUA, onde os clientes devem pagar mensalmente € 400 euros ou US$ 850 (cerca de R$ 900 e R$ 1.400, respectivamente) em um plano de leasing. Contudo, os interessados do mundo inteiro podem conferir no MINI E os primeiros esforços da BMW em direção aos carros com propulsão 100% elétrica do grupo.

MINI E

Basicamente, o conceito é uma versão do MINI Cooper adaptada para receber o conjunto de baterias, propulsor e conversor. “Além disso também realizamos algumas mudanças na calibragem da suspensão para adequar o conjunto à nova distribuição de peso”, explicou Manuel Sattig, um dos especialistas do conglomerado alemão para o modelo.

MINI E


A redução de peso, aliás, é um dos principais desafios para a construção de um veículo elétrico eficiente (leia-se com boa autonomia) utilizando a tecnologia atual. No MINI, por exemplo, a diferença entre as versões a combustão e a eletricidade é de 360 kg e a autonomia do segundo é de, em média, 160 quilômetros dependendo do estilo de condução e do terreno, dentre outras variáveis.

MINI E

E como fica o desempenho nessa história toda? Engana-se quem pensa que ele foi sacrificado. Com 204 cv e 22,4 mkgf de torque disponível assim que o botão de partida é acionado, o MINI manteve o mesmo comportamento esperto que o caracteriza. Você só percebe que está a bordo de um elétrico pelo silêncio e, quando olha no mostrador à sua frente, ao invés do conta-giros vê um indicador de carga da bateria.

MINI E

Apesar do peso extra, impressiona como o MINI E continua “na mão”, um trabalho que merece elogios ao pessoal de engenharia da BMW. Estável, ele vence curvas fechadas com desenvoltura e não dá sinais de que vai desgarrar da pista. De acordo com testes da fabricante, ele alcança os 100 km/h em 8s5 e chega muito rápido aos 152 km/h de velocidade máxima.

MINI E

Se o padrão de acabamento segue o restante da linha, o painel de instrumentos ganha uma série de alterações voltadas à proposta elétrica do veículo. O contagiros bem à frente do motorista cede lugar a um indicador de carga da bateria, enquanto o velocímetro (este continua no lugar) teve a função dos pequenos traços luminosos substituída: em vez do nível de gasolina no tanque, eles passam a representar quando a bateria está perdendo ou regenerando eletricidade.

MINI E

Uma característica interessante, como é peculiar a automóveis elétricos, é a linearidade que a aceleração é feita, já que ele só trabalha com uma marcha à frente, além da ré. O primeiro passo de um projeto mais audacioso, que culminará no Megacity Vehicle, o MINI E só deve mesmo mais espaço no habitáculo e para os passageiros, mas este é o preço da adaptação.

Project i

Carros como o MINI E e o Active E, variante elétrica do 135i Coupé, fazem parte de um projeto maior no qual a BMW está trabalhando. Trata-se do Project i, o qual busca as melhores soluções para automóveis elétricos do conglomerado alemão. Em um evento cujo tema era a discussão do futuro da mobilidade, a BMW mostrou-se bem confiante de uma coisa: a propulsão elétrica está invariavelmente ligada ao futuro dos veículos.

Ainda que ela trabalhe com outras tecnologias, como o uso de hidrogênio por propulsores a combustão, a empresa sediada em Munique aposta nos carros elétricos principalmente para o uso nos grandes centros urbanos. Por isso o nome Megacity (ou “megacidade”, em português), que se refere a locais com população superior a 10 milhões de habitantes e batiza o projeto de seu futuro compacto, pensado desde os primeiros esboços para mover-se com um motor elétrico e não ser apenas uma adptação de um modelo já em linha.

Após um extenso trabalho de pesquisa envolvendo os moradores dessas regiões, o Megacity promete, ao menos, atender as necessidades desses potenciais compradores em atributos como autonomia, design, capacidade para passageiros e espaço no habitáculo.

Como a operação não será simples, quando o produto final for lançado, em 2013, deverá inaugurar uma submarca dentro do catálogo da BMW, semelhante ao que é feito com os modelos da divisão Motorsport.

“Ele será um carro único, com processo de desenvolvimento exclusivo, manufatura específica e esquema próprio de marketing devido à sua proposta inovadora”, explicou Ian Robertson, vice-presidente mundial de vendas e marketing da BMW.

Dentre essas peculiaridades citadas pelo executivo está a carroceria do compacto, inteiramente feita de fibra de carbono. Mais leve, o futuro elétrico ganhará em autonomia. Questionados sobre o custo da tecnologia, os responsáveis pelo projeto na BMW disseram que buscam amortizá-lo no ganho em escala.



Ficha Técnica

Motor elétrico, dianteiro
Cilindrada -
Potência 204 cv
Potência específica -
Torque 22,4 kgfm a 1 rpm
Taxa de compressão -
Transmissão uma marcha a frente e ré
Tração traseira
Direção hidráulica
Suspensão dianteira McPherson
Suspensão traseira multibraço
Freios dianteiros n/d
Freios traseiros n/d
Rodas liga leve, 16"
Pneus n/d
Comprimento 3,69 m
Altura 1,40 m
Largura 1,68 m
Entreeixos 2,46 m
Porta-malas Espaço destinado para baterias
Tanque -
Peso 1.465 kg
Peso/potência 7,1 kg/cv

Nenhum comentário:

Postar um comentário